Esquizofrenia Paranóide



ESQUIZOFRENIA PARANÓIDE: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

INTRODUÇÃOAtualmente, os estudos comprovam que a esquizofrenia é uma doença comum substrato biológico, isto é, envolve uma predisposição genética e de acordo comfatores ambientais e psicológicos pode ou não ser desenvolvida. É caracterizada porsintomas como alucinações e delírios, pensamento e  discurso desorganizados ecomportamento claramente bizarro. O diagnóstico envolve o reconhecimento de uma série de sinais e sintomasassociados com prejuízo nas atividades diárias e de relacionamento do indivíduo,sempre levando em conta as diferenças culturais. Seu início geralmente ocorre entreo final da adolescência ou início da vida adulta, embora haja casos na infância. A característica essencial da esquizofrenia paranóide é a presença de delíriose alucinações auditivas e uma relativa preservação do funcionamento cognitivo e doafeto.O prognóstico para este tipo de esquizofrenia é considerado melhor do quepara os outros tipos, com relação ao funcionamento  ocupacional e à capacidadepara uma vida mais independente.


SINTOMATOLOGIA E DIAGNÓSTICO DA ESQUIZOFRENIA PARANÓIDE

A sintomatologia descritiva da esquizofrenia é classificada em três categorias:

sintomas positivos, que incluem distúrbios do conteúdo do pensamento
 (como  delírios), distúrbios da percepção (como alucinações) e manifestações
comportamentais (como catatonia e agitação);

sintomas negativos, que incluem
pobreza de pensamento, embotamento afetivo, apatia  e anedonia; e
relacionamentos pessoais desordenados (como isolamento, expressões
inadequadas de agressão e sexualidade, falta de consciência das necessidades dos
outros, solicitações excessivas e incapacidade de fazer contatos significativos com
outras pessoas).

Esta terceira categoria é definida de forma menos rigorosa que as
outras duas pelo fato de que todo paciente esquizofrênico apresenta problemas nas
relações interpessoais .
 fatores genéticos têm um grande papel no
desenvolvimento da esquizofrenia, entretanto os fatores ambientais também
parecem estar envolvidos.

entre  os possíveis fatores
ambientais relacionados à esquizofrenia, estão lesão no nascimento, infecção viral
durante a gestação, problemas no suprimento de sangue na vida intrauterina,
intercorrências no desenvolvimento e certos tipos de traumas infantis.

Seguindo este raciocínio, refere que eventos
ocorridos durante o desenvolvimento cerebral, especialmente no período pré-natal
ou perinatal parecem exercer importante papel como  fatores de risco em alguns
casos de esquizofrenia.

Os sintomas negativos das
psicoses esquizofrênicas caracterizam-se pela perda de funções psíquicas e sociais
do indivíduo, que são: distanciamento afetivo, em graus variáveis até o completo
embotamento afetivo, retração social, empobrecimento da linguagem e do
pensamento, diminuição da fluência verbal, dificuldade ou incapacidade de realizar
tarefas que exijam iniciativa e persistência, descuido consigo mesmo e lentificação
psicomotora.
os sintomas negativos são difíceis de
avaliar porque ocorrem em uma linha contínua com a normalidade e podem decorrer
de uma variedade de outros fatores, como no caso da depressão ou da
desmoralização. Porém, com freqüência são os primeiros sinais, para a família, de
que algo está errado.

Denomina esquizofrenia paranóide o tipo clínico da enfermidade
que se caracteriza pela predominância de delírios a alucinações. À medida que a
enfermidade progride, o doente se integra em seu mundo delirante e alucinatório,
afastando-se cada vez mais da realidade, da qual retira apenas aqueles elementos
que contribuem para fortalecer a sua convicção delirante. Em toda a sua evolução,
não se observam alterações profundas da personalidade, como ocorre
habitualmente nos outros subtipos de esquizofrenia.
As alucinações auditivas são muito freqüentes no quadro paranóide e se
manifestam com a mais completa lucidez da consciência. Apresentam-se
geralmente como vozes que censuram, condenam, ameaçam ou interferem
diretamente nos atos do paciente .

o segundo lugar em importância na esquizofrenia paranóide é
ocupado pelos delírios, vivências de influência corporal que se apresentam como
sensações anormais e desagradáveis. Em certos casos, os doentes se queixam de
serem vítimas da prática de atos sexuais ou têm a sensação de que os órgãos
internos do corpo mudaram de lugar. Observa-se também, uma série de alterações
da sensibilidade tátil, térmica e dolorosa, que em muitos casos desempenham papel
importante nos delírios persecutórios. Os pacientes se sentem influenciados pelo
hipnotismo, pela telepatia, pelo rádio, pela eletricidade, pelo telefone, etc.

os delírios na esquizofrenia paranóide
são tipicamente persecutórios ou grandiosos. Os temas persecutórios podem
predispor o indivíduo ao comportamento suicida e a  combinação de delírios
persecutórios e grandiosos pode predispor à violência. Aspectos associados incluem
ansiedade, raiva e tendência a discussões.

Estes indivíduos muitas vezes mantém uma atitude
de superioridade diante do médico.
O tom de voz elevado, o olhar vivo e certa  facilidade dos movimentos expressivos simulam uma atitude natural, nada indicando
em sua aparência exterior de se tratar de um doente mental.
O indivíduo pode demonstrar uma atitude superior e  condescendente,
apresentar uma qualidade afetada ou formal, ou então extrema intensidade nas
relações interpessoais. Estes indivíduos apresentam pouco ou nenhum prejuízo na
testagem neuropsicológica ou em outros testes cognitivos

Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, os
dados sobre o início e progressão dos sintomas são  de fundamental importância
para o diagnóstico, bem como o uso de drogas ou medicações que possam estar
causando sintomas psicóticos.

 O início pode se dar de forma abrupta ou insidiosa,
no entanto na maioria dos casos os indivíduos apresentam algum tipo de fase
prodrômica, manifestada pelo desenvolvimento lento  de uma série de sinais e
sintomas, como retraimento social, perda do interesse pelas atividades diárias ou
deterioração dos cuidados pessoais. Por fim, o aparecimento de alguns sintomas da
fase ativa marca a perturbação como Esquizofrenia.

De acordo com o DSM-IV os Critérios Diagnósticos para Esquizofrenia Tipo
Paranóide são: Preocupação com um ou mais delírios  ou alucinações auditivas
freqüentes e a não proeminência de sintomas como discurso desorganizado,
comportamento desorganizado ou catatônico e afeto embotado ou inadequado. 


 TRATAMENTO DA ESQUIZOFRENIA PARANÓIDE

Considera o tratamento medicamentoso indispensável e
dependendo do caso e da sintomatologia manifesta a internação deve ser cogitada.
Esta decisão é tomada quando não houver suporte familiar e a crise for muito
intensa e representar risco para o paciente e seus familiares. A internação deve ser
a mais curta possível e manejada para buscar a dose ideal do antipsicótico e para
aprofundar o vínculo com o paciente.

a medicação antipsicótica é altamente eficaz no manejo
de sintomas positivos da esquizofrenia, entretanto, os sintomas negativos e
relacionamentos interpessoais perturbados são muito menos afetados pela
medicação, exigindo abordagens psicossociais.

coloca que a psicoterapia tem se mostrado um importante
recurso terapêutico, associado ao tratamento farmacológico, na recuperação e
reabilitação de pacientes esquizofrênicos.
A psicoterapia nestes casos deve ter
como objetivos: oferecer informações sobre a doença e modos de lidar com ela,
oferecer continência e suporte, restabelecer o contato com a realidade, identificar
fatores estressores e instrumentalizar o paciente a lidar com os eventos da vida,
conquista de maior autonomia e independência, diminuição do isolamento, etc.

uma avaliação e um diagnóstico cuidadosos
ajudam a determinar se o paciente é adequado para a psicoterapia, e qual o tipo de
abordagem será de maior benefício.

A terapia cognitivo comportamental tem se mostrado  uma técnica eficaz no
tratamento das psicoses, auxiliando na redução dos  índices de recaídas,
na  diminuição quanto à severidade das alucinações e delírios e contribuindo também
com o funcionamento global do paciente

As intervenções psicossociais para os familiares
de indivíduos com esquizofrenia são de fundamental  importância para que estes
consigam entender alguns aspectos decorrentes da doença, a importância do
tratamento medicamentoso, bem como compreender que  é extremamente
importante estimular estes indivíduos para que consigam ter maior autonomia
possível, podendo dessa forma, lidar melhor com o familiar que necessita de
cuidados e com os próprios sentimentos que decorrem deste contato e através disso
prevenir a ocorrência de recaídas e melhorar a qualidade de vida de toda a família.

A psicoterapia de grupo  também é utilizada
nestes casos.
O grupo operativo é uma modalidade que capacita o portador da
doença a ficar instruído a respeito das suas limitações, ajudando-o na adaptação
social e contribuindo para conciliar sua situação de doença com as posturas de
convivência.

outra  forma de tratamento
utilizada é a terapia ocupacional, centrada em atividades. Sua finalidade é recuperar
a capacidade de fazer algo, combater a falta de vontade e propiciar à pessoa a
constatação concreta de que ela tem capacidade de executar e concluir tarefas.
 Esta  forma de tratamento é usada também nas instituições, como Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS), e possibilita a reabilitação e reinserção social destes
indivíduos. Portanto, é necessário que seja elaborado um plano terapêutico para
cada caso e de acordo com a sintomatologia apresentada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através da revisão da literatura realizada, foi possível perceber que o
diagnóstico da esquizofrenia envolve o reconhecimento de uma série de sintomas,
associados ao prejuízo funcional do indivíduo. Entretanto, a esquizofrenia paranóide
apresenta uma relativa preservação do funcionamento cognitivo e do afeto,
possibilitando que seu prognóstico seja considerado melhor em relação aos outros
subtipos.

A escolha da forma de tratamento e o tipo de abordagem a serem        
utilizadas são muito importantes para a recuperação e reabilitação destes indivíduos.
Considera-se de extrema importância a necessidade de outros estudos sobre
o assunto, a fim de facilitar e divulgar o conhecimento aos estudantes da área da
saúde e à sociedade, para que todos tenham melhores condições de lidar com estasquestões